olhos nos olhos
A propósito de querer dar a alguém uma força que me falta; a propósito de vias verdes, cristais e fragilidades; a propósito das tuas palavras e da conversa que guardámos para amanhã... lembrei-me de outra "conversa" e das palavras que ficaram para a lembrar. Não sei se me doeu mais escrevê-las naquela noite alucinada ou constatar hoje que já quase não me doem. E que continuo tão longe.
Aqui me tens, Senhor,
olhos nos olhos.
E ainda assim a dúvida persiste.
Quando, a teus pés, já nada em mim se entrega;
quando, em teus braços, o coração resiste...
já não sou eu, Senhor,
que te renego.
És tu que o dom de crer não queres em mim.
Findo este grito desolado, de abandono,
o teu silêncio é esmagador. Mas, mesmo assim,
continuarei, Senhor,
a procurar
os gestos onde o teu amor existe.
Se em ti não queres que creia, crê em mim
e em cada pecador que não desiste.
(22-03-2003)
3 Comments:
At 6/7/05 13:38,
joana said…
Obrigada por partilhares, por escreveres assim, por me teres comovido...
At 7/7/05 00:09,
PiC said…
Tudo o que a Joana disse... Obrigado!
At 7/7/05 01:34,
Quilas said…
E ainda tens a "lata" de dizer que te sentiste abandonada. Quem assim escreve (porque assim o sente) paraece-me tudo menos abandonada...
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